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A Palavra da Presidente

Francisca

Procurando me inteirar das novidades da Flip (Festa literária Internacional de Paraty), me deparo com uma palestra de mulheres negras dialogando com o curador do evento sobre a ausência de escritores negros na programação oficial.
Participaram dessa mesa “De onde escrevo”, que inaugurou o espaço Itaú Cultural de Literatura, as escritoras Ana Maria Gonçalves, Andréa Del Fuego, Maria Valéria Rezende e Conceição Evaristo, entre outras.
Muito justa a cobrança das escritoras negras, que, aliás, vêm debatendo esse tema desde quando a então ministra da Cultura, Marta Suplicy foi à Alemanha e declarou a um repórter que não existiam escritores negros brasileiros à altura daquele evento internacional.
Desde essa declaração, a Organização Não Governamental Afrobras e a Universidade Zumbi dos Palmares, que trabalham pela inclusão e visibilidade do negro em todas as esferas sociais, resolveu fazer um evento literário apresentando os grandes autores negros brasileiros e internacionais.
Daí, criou-se a FlinkSampa, Festa do Conhecimento, Literatura e Cultura Negra de São Paulo. Na primeira edição, como acontece com nós negros, que sempre aprendemos na “raça” a fazer as coisas, uma vez que não temos exemplos e experiências anteriores, falhamos em alguns pontos do evento. Fomos criticados, não entendidos, tivemos poucos apoios. Mas como todo bom brasileiro não desistimos e insistimos em refazer a FlinkSampa. Já estamos na quarta edição neste ano e com um número significativo e crescente de autores negros – brasileiros e estrangeiros.
Mas comecei a escrever esse texto porque me entristeci ao ler as matérias dos jornais falando da cobrança das escritoras negras pela falta de seus companheiros na Flip, algumas delas sempre presentes na FlinkSampa, bem recepcionadas e bem divulgadas. Nenhuma lembrou de falar desse evento feito, dirigido e coordenado por negros. Um evento que as dignifica perante seus colegas de trabalho e de luta, que estimula novos escritores, que mostra para nossa gente – negros e brancos – o valor e potencial de cada um presente às mesas de debates, que promove o network entre seus pares, editoras e patrocinadores, que mostra aos jovens desse país, em especial aos jovens negros, que eles também podem ser grandes, chegarem a ser renomados, lhes dar esperanças.
Porque um evento como a FlinkSampa, dirigida em especial, mas não só, aos negros, não é divulgada, falada, propagada pelos próprios negros que têm interesse em mostrar suas obras? Hoje, na quarta edição, estamos fazendo um evento literário de primeiro mundo, com profissionais competentes e reconhecidos no mercado, com autores internacionais querendo saber como funciona a FlinkSampa, querendo participar. Mas os negros brasileiros ainda ficam a pedir ano a ano, a sua participação na Flip, que se faz de surda e continua com uma programação 100% branca, quando têm um lugar de braços abertos para recebê-los.
O próprio curador da Flip, Paulo Werneck admitiu não conhecer muitos autores negros. Nós o convidamos a vir conhecer a FlinkSampa, que acontece em 18 e 19 de novembro, no Memorial da América Latina e se deparar com os melhores e os novos escritores negros do Brasil e do exterior, negros e brancos.
E caros escritores negros brasileiros, a FlinkSampa é de vocês! Não tenham vergonha em falar e participar dela. Aqui, vocês não precisam pedir para entrar, a casa é de vocês. Sejam muito bem vindos!
Na foto, Francisca Rodrigues, presidente da FlinkSampa.

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                    Memorial

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