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IV CONFERÊNCIA INTERNACIONAL RACISMO NO ESPORTE TERMINA E LANÇA CARTA DE INICIATIVA DO ESPORTE PELA IGUALDADE RACIAL

Os ex-atletas  Robson Caetano (atletismo) e Lica Oliveira (vôlei) fizeram a leitura dos dez pontos que compõem a Carta, cujo objetivo é fazer com que o Racismo seja erradicado do esporte no Brasil. O ministro do Esporte, George Hilton e a ministra da Cidadania, Nilma Gomes, ouviram a leitura e assinaram o documento

A IV Conferência Internacional Educação, Conhecimento, Diversidade e Ações Afirmativas, que discutiu o tema Racismo no Esporte em mesas de debates durante a sexta-feira (13),  foi encerrada com a leitura do seu principal objetivo:  a Carta de Adesão à Iniciativa do Esporte pela Igualdade Racial. A leitura do documento, feita ao encerramento da conferência, foi realizada pelo ex-velocista Robson Caetano e pela ex-atleta do vôlei e atual atriz, Lica Oliveira. O ministro do Esporte, George Hilton, a ministra da Cidadania, Nilma Gomes e o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, ouviram e referendaram o documento, que torna o movimento uma iniciativa oficial do Governo Federal. A IV Conferência Internacional Educação, Conhecimento, Diversidade e Ações Afirmativas foi realizada pela Universidade Zumbi dos Palmares e pela Afrobras. O patrocínio foi da Caixa Econômica Federal.

A Carta é composta por dez compromissos que abordam temas como: trabalho efetivo para o enfrentamento ao racismo; igualdade de oportunidades; promoção de ambiente respeitoso; educar visando o respeito e a promoção à diversidade e promover o respeito à diversidade racial no que se refere à concessão de patrocínios.

Além de George Hilton e Nilma Gomes,  representantes oficiais do governo brasileiro, o governo dos Estados Unidos, outro apoiador da Carta, foi representado por Meldon Hollis, enviado especialmente pelo presidente Barack Obama. Hollis dirige a Iniciativa e Educação da Casa Branca para Colégios e Universidades Historicamente Negros. A Universidade Zumbi dos Palmares, realizadora da conferência, está incluída nesse hall. O reverendo Jesse Jackson,  personalidade histórica no combate ao racismo e outras formas de discriminação, mandou ao Brasil o diretor de Relações Internacionais da Rainbow Push Coalition, James Gomez.  A Rainbow é a ONG comandada por Jackson e que  trabalha ativamente na luta pelos direitos civis e justiça social.  O ministro Hilton falou da iniciativa.  “Este evento criará pontes que levarão à erradicação do racismo no esporte. Essa carta não vai ficar apenas no papel. Ela será o norte que guiará nossas ações contra o racismo. O esporte vai trabalhar efetivamente contra a injustiça racial”, disse. 

Pontos da Carta  

1.      Trabalhar ativamente pelo enfrentamento do racismo e pela promoção da igualdade racial em nossas atividades no mundo do esporte, sobretudo nós, lideranças, dirigentes, pessoal com alta responsabilidade sobre as atividades.

2.      Promover igualdade de oportunidade e tratamento justo a todas as pessoas sempre que estiver sob nossa responsabilidade contratar, promover, educar, treinar ou liderar pessoas em grandes organizações.

3.      Promover ambiente respeitoso, seguro e saudável para todas as pessoas em nossas organizações, eventos ou qualquer lugar sobre o qual temos responsabilidade.

4.      Sensibilizar e educar para o respeito e a promoção da diversidade racial, utilizando de todos os meios ao nosso alcance para falar sobre o tema e sua importância, incluindo o cuidado com a comunicação e o marketing, suas oportunidades para rejeitar o racismo e promover o valor da diversidade humana.

5.      Estimular e apoiar a participação e articulação da população negra nas atividades relacionadas a estes compromissos.

6.      Promover o respeito à diversidade racial nas relações envolvendo patrocínio a atividades esportivas, compartilhando esses compromissos, seus princípios e regras básicas para enfrentamento solidário do racismo e as consequências para a inobservância do tema em contratos de qualquer natureza.

7.      Promover o  respeito a todas as pessoas no planejamento de produtos, serviços, eventos esportivos e nos relacionamentos com todos que deles participam.

8.      Promover ações de desenvolvimento dos profissionais que atuam no mundo esportivo de maneira a se alcançar a igualdade racial no acesso a oportunidades de trabalho e renda.

9.      Promover o desenvolvimento econômico e social da população negra na cadeia de valor, no relacionamento com fornecedores e todas as organizações com as quais mantém relações comerciais, de patrocínio ou qualquer outra forma de contrato que permita enfrentar o racismo e oferecer oportunidades concretas a empreendedores ou empresários deste segmento da população.

10.  Promover e apoiar ações em prol da igualdade racial no relacionamento com a comunidade, nas atividades de inclusão social, voluntariado ou qualquer outra forma de investimento no desenvolvimento social, cultural, esportivo e comunitário de crianças, jovens e adultos.

Norte-americano James Gomes acredita que novo cabelo de Neymar pode ser busca da negritude

Gomez é diretor de Relações Internacionais da Rainbow Push Coalition, ONG comandada pelo reverendo  Jesse Jackson.  Ele está na IV Conferência Internacional Racismo no Esporte. Para Gomes, o ídolo brasileiro pode estar buscando origens

Seria apenas coincidência, ou o fato de Neymar surgir com seu cabelo ao natural, carapinha, abandonando o modelo alisado à custa de relaxantes, em pleno novembro da consciência negra, pode ser uma busca às suas origens?  Para o norte-americano James Gomez, que está no Brasil representando o reverendo Jesse Jackson, isso pode estar acontecendo. “Não sei qual é o processo de pensamento de Neymar e nem como ele se posiciona com relação a sua raça. Mas isso pode estar ocorrendo. Às vezes os ídolos não se manifestam sobre esse assunto, por questões que envolvem até patrocínios”, afirmou Gomez.

Neymar, craque brasileiro que defende o Barcelona, surpreendeu há alguns dias quando raspou a cabeça e abandonou o uso do cabelo alisado,  modelo que vinha utilizando desde que a merecida fama no futebol passou a acompanha-lo. O cabelo já alcançou certo volume e tem permanecido no estilo natural, fato que reforça a origem negra de Neymar.

Para o ex-velocista Robson Caetano,  o caso de Neymar é de resgate. “Ele cortou aquele cabelo alisado e agora se apresenta como o negro que ele é.  Eu também cheguei a usar relaxante. Mas decidi me assumir como sou. Passei a usar meu cabelo ao natural, afirmou.  Robson disse que como atleta não foi vítima de atos racistas. A discriminação aconteceu recentemente, na porta de um dos mais famosos e tradicionais hotéis do Rio de Janeiro. “Eu fui à festa de aniversário de uma amiga e decidi não ir de carro. Estava próximo e peguei um ônibus. Desci na parada que fica a poucos metros da entrada do hotel. Estava com o presente na mão e isso chamou a atenção dos porteiros. Eles não me deixaram entrar”, afirmou. A situação só foi contornada quando o ex-atleta se identificou e a organização da festa foi buscada.

Para James Gomez, o caso do golfista norte-americano Tiger Woods é emblemático na questão da negação da negritude em um primeiro momento  e, depois, da afirmação da mesma.  “Tiger Woods quando era questionado sobre  sua raça, desconversava. Em uma das oportunidades ele chegou a dizer que não era negro. Porém, quando passou pelo problema que teve (em 2009 um jornal alemão publicou que Woods mantinha relação extraconjugal. Ele era casado com a modelo Elen Nordegren. A partir dessa denúncia, outras supostas amantes de Woods foram se manifestando. O casamento do golfista terminou e a repercussão negativa fez com que seus patrocínios fossem rompidos e sua carreira abalada), ele era mencionado na imprensa como negro e não teve mais dúvida sobre sua raça e cor.”

A IV Conferência Internacional segue agora à tarde com as seguintes mesas na Uninove (Campus Memorial) – Rua Dr. Adolfo Pinto, 106 – sala 926 e 927 / 9º andar. 

13h00
Mesa 1 – O legado olímpico para prevenção e combate ao racismo no esporte

Mesa 2 – O racismo e as redes sociais

15h00
Mesa 1 – Racismo e patrocínio público: responsabilidade social e a imagem das marcas a serviço do esporte

Mesa 2 – Racismo e comunicação social: O papel da mídia esportiva

18h00 – Conferência de Encerramento (Memorial da América Latina)
Talk show com celebridades do esporte

Lançamento do Plano de Iniciativa do Esporte no Combate ao Racismo e Discriminação Racial

apoio

realizacao

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