Flink Sampa 2014 homenageou a escritora Carolina Maria de Jesus e encerrou com palestra motivadora de Graça Machel, viúva de Mandela, contra o preconceito racial no mundo

Mais de 9 mil pessoas compareceram ao evento que rendeu homenagens ao centenário de nascimento da escritora negra Carolina Maria de Jesus. A Universidade Zumbi dos Palmares ao lado da ONG Afrobrás, trouxeram Graça Machel, reitores de Universidades Negras e personalidades significativas ao Brasil

FLINK SAMPA 2014 - A cerimônia de abertura da II Flink Sampa que aconteceu às 10h do dia 22 de novembro, no Salão dos Atos no Memorial da América Latina, em São Paulo reuniu centenas de interessados e estudiosos em literatura no âmbito nacional e internacional. Compuseram a mesa o presidente do Memorial João Batista de Andrade, a pro-reitora da Universidade Zumbi dos Palmares, Francisca Rodrigues e o Curador da Festa, Uelinton Farias Alves. Simultaneamente, no Campus da Zumbi, em São Paulo, ocorreu o Seminário Internacional, com o lema “Ciência e Conhecimento a Serviço da Igualdade Racial: Produções e Contribuições Brasil e Estados Unidos. Foram acolhidas personalidades relevantes de 10 Universidades Historicamente Negras Norte-Americanas (HBCUs), advogados, acadêmicos e profissionais liberais para o Ciclo de Debates sobre igualdade racial no mundo.

No Memorial da América Latina, o curador, pelo segundo ano consecutivo, deu as boas vindas ao público presente e destacou os avanços da Festa no sentido de organização e missão, literatura e cultura negra. Vejo como excelente espaço para discutir questões de raça e gênero e também homenagear Carolina Maria de Jesus, ex-catadora de lixo e muito presente em São Paulo só nos traz alegria. Ela, mulher, negra e pobre, foi uma incansável lutadora para o empoderamento e com forças próprias conseguiu enxergar através do livro e da literatura uma posição de reconhecimento na sociedade. Inclusive, em sua visão dizia: àquela que não sabia ler e escrever estava condenada à sociedade. E ainda frisava: Eu sei expressar os meus desejos e sentimentos, lembrou o curador.

Uelinton relatou ainda que o grande responsável por descobrir a escritora em meio aos seus amassados manuscritos foi o jornalista Audálio Dantas. “Ele transformou a vida de Carolina e de todos os literários. Com voz emotiva, destacou a alegria em poder desfrutar da Flink Sampa, com a filha, os netos, familiares e os admiradores de Carolina, pois sem dúvida, muito confortou aos escritores e todo o público”.Tivemos a chance para um abraço meigo e amigo”, disse Uelinton.

O presidente do Memorial da América Latina, João Batista de Andrade, em sua fala, salientou a importância da participação espontânea do público nesta II edição da Festa Literária, afirmou ainda ser uma homenagem e honra para o espaço sediar um evento tão forte e necessário como a Flink Sampa na cidade de São Paulo. “Eu tenho uma visão sob cultura, nós seres humanos somos todos iguais e também diferentes. A cultura brasileira é profundamente marcada pelos negros e africanos que apoiaram na formação desta nação. Isso é o que diferencia o Brasil de outros; rico culturalmente e com grande capacidade de questionar. Por isso, a Flink Sampa é um tiro certeiro, é uma ajuda muito grande pela valorização da cultura brasileira. Essa festa entra no projeto do Memorial com intuito de refletir questões da sociedade e difundir cultura, assim como essa instituição. A idéia é popularizar cada vez mais o Memorial e intensificar a capacidade de reflexão da sociedade e do nosso continente. O trabalho da Universidade Zumbi dos Palmares é importantíssimo para todos, para o Brasil”, afirmou o presidente.

Em toda a extensão da Praça Cívica do Memorial da América Latina foram acoplados diferentes espaços, tais como: Editora Flink (Literatura), Palco principal da Flink (espetáculos de música, shows, teatro e dança), Espaço Kids – O público infantil se divertiu com basquete e a contação de histórias sobre os livros “Júlia e seus amigos” (Lia Crespo) e “Rodrigo Enxerga Tudo” (Markiano Charan Filho), ambos sobre a experiência de personagens com deficiência. Ocorreu com muita ginga e técnica uma mega-aula de capoeira com professores e alunos das escolas do Sesi-SP. No Espaço Beleza, o público pode fazer maquiagem e cabelo com a oficina de “Cores, o brilho dos olhos”, e mesa de bate papo com as Misses negras de Israel (Titi) e Brasil (Deise Nunes), com intermediação da jornalista Joyce Ribeiro.

A Flink Sampa 2014 teve exposição de Tela e dicas sobre empreendedorismo. Na Galeria Marta Traba, um dos espaços mais visitados durante a Festa Literária contou com uma mostra de livros raros, manuscritos e fotos de Carolina Maria de Jesus. A exposição foi cedida pela Prefeitura de Sacramento,  localizada no interior de Minas Gerais, onde ela nasceu. O ator Wilson Rabelo fez intervenções participativas de três a quatro vezes por dia, durante os dois dias de evento. No lado externo, foi montada também uma réplica do barraco de Carolina; O espaço Afrotec, lotado em tempo integral, por conta das novidades nos jogos eletrônicos despertou curiosidade das crianças e adultos, pois puderam jogar durante todo o evento.

No stand da Zumbi dos Palmares, os participantes conheceram um pouco mais da instituição de ensino e receberam informes sobre os cursos para o vestibular 2015, apresentando o seu diferencial e formas de acolhimento aos alunos.

Paralelamente aos debates, o espaço recebeu os estandes de editoras com a presença de escritores brasileiros e estrangeiros. Nos dois dias do evento, foi promovido o lançamento do Livro “O Quarto de Despejo”, uma reedição da Editora Zumbi dos Palmares em parceria com a Ática, dos livros dos angolanos – Isabel Ferreira (“O Leito do Silêncio”, ed. Kujiza Kuami) e Lopito Feijóo (“Desejos de Aminata”).  Contou também com sessões de autógrafos dos livros dos seguintes autores: Joel Rufino dos Santos (“Carolina Maria de Jesus – uma Escritora Improvável”, da Editora Garamond), Elzira Divina Perpétua (“A Vida Escrita de Carolina Maria de Jesus”, ed. Nandyala), Renato Meireles (“Um País Chamado Favela”, ed. Gente), Cristiane Sobral (“Só por Hoje Deixa meu Cabelo em Paz”, ed. Teixeira), Maria Gal (“A Bailarina e a Bolha de Sabão”, ed. Uirapuru), Luciana Beatriz (“Sou uma Pop Star”, ed. Gregory), Renato Nogueira (“Nana e Nilo”, ed. Hexis) e Durval Arantes (“O Último Negro – Uma Obra de Ficção Afro Globalizada”, ed. Vermelho Marinho).

Mais atrações

Com excelente aceitação do público, as oficinas foram “Carolinas ao Vento, Centenária e Atemporal”, na qual o Coletivo Carolinas de Mulheres Negras, da Bahia, promoveu atividades com os participantes e usou frases da autora para montar um paralelo de sua obra e visão de mundo com temas como o feminismo, a geograficidade (a condição espacial do homem no mundo) e  o preconceito racial.

Shows - No Palco principal da Festa, a programação musical ficou por conta dos shows do compositor, cantor e músico Jair Oliveira e convidados, da dupla, Leci Brandão, Os Prettos (formada pelos irmãos Maurílio de Oliveira e Magnu Sousá) e uma batalha de Rap, sob o comando do Rapper Max BO (TV Cultura), com a participação do rapper Billy Saga.

Artes Cênicas, o público foi agraciado com as apresentações da peça “Salve ela! Carolina”, da Companhia Alternativa de Teatro, sob direção de Ribamar Ribeiro, e dois espetáculos de dança Complexo Cultural Dra Nise da Silveira (que desenvolve projetos sociais em São Bernardo):   “O Resgate dos Saltimbancos” (infantil) e  “A Semiótica da Dança – A História do negro impressa em nossa pele”. Ambos são dirigidos pela professora Gabriela Lourenço,  formada há dez anos em Balé Clássico e Dança Contemporânea. A peça “Salve Ela! Carolina Maria de Jesus em Cena”,  inclusive chegou com força total à Flink Sampa para  mostrar a vida da ex-catadora, a partir de trechos do livro “Quarto de Despejo”, textos teatrais, depoimentos, cartas e artigos da autora.  Todo o desenho de cena reproduziu o seu barraco que, hora se enche de dor, hora de poesia. O elenco foi formado por Fernanda Dias, Almir Rodrigues e Getúlio Nascimento. Com coreografia de Silvia Oliveira,   “A Semiótica da Dança – A História do Negro impressa em nossa Pele” com técnica, usou a expressão corporal para trazer à tona a história afrodescendente e negra impressa. Na trilha sonora foram quatro músicas de Egberto Gismonti: “Dança dos Escravos”, “Zumbi”, “Canto das Três Raças” e “Casa Forte”.

Para as crianças - Já o infantil  “O Resgate dos Saltimbancos” animou todos os presentes no Memorial com uma releitura, no contexto do balé clássico, do espetáculo “Os Saltimbancos”,  de Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov, com música de Chico Buarque (1977). A adaptação é calcada nas músicas  “Piruetas”,   "Bicharia" e  "História de uma Gata”. No palco, estiveram do Projeto  “Crianças de Porcelana”,   que desenvolve oficinas de balé clássico com menores em situação socioeconômica deficitária, na Sociedade Amigos de Vila Marchi, em São Bernardo do Campo.

Último dia de evento – Nem mesmo o clima chuvoso em São Paulo, no domingo (23 de novembro), impediu a participação do público durante as 12 horas consecutivas do evento. A Flink Sampa contou com ricos debates literários com autores brasileiros e estrangeiros, lançamentos de livros, sessões de autógrafos, shows, espetáculos de teatro e dança, oficinas de moda e beleza e atividades infantis englobando torneios de Basquete 3x3, jogos eletrônicos, boa culinária, locais específicos para compras de produtos voltados à população negra, entre várias outras atrações que enriqueceram a Afroétnica Flink Sampa.

Palestra Magna - GRAÇA MACHEL É OVACIONADA DURANTE FLINK SAMPA

Às 16h, o momento mais aguardado da 2ª Flink Sampa, a viúva de Nelson Mandela, Graça Machel, foi recebida no Salão dos Atos do Memorial da América Latina com a apresentação da Orquestra Infanto Juvenil da LBV, regida pelo maestro Nilton Duarte. Recebida pelo reitor José Vicente, Graça abriu seu discurso de maneira contundente, comovendo e encantando a todos. Confira:

"Eu considero de extrema importância não só para o povo brasileiro, mas para todos os negros. E não só para os negros, mas para todos os humanos. E eu vim aqui para dizer: eu sou negra! E queria que essa informação chegasse a todos os
cantos. E quero repetir: eu sou negra! E dizendo isso, estou trazendo
outra informação importante: eu sou uma mulher!
Sou cidadã do mundo.

Vim do outro lado da África para reivindicar Zumbi dos Palmares como meu herói. Ele não é só herói dos brasileiros, mas também dos negros de todo canto e também de toda a humanidade. Ele é precursor da declaração do direito dos homens. Todos nós nascemos iguais e merecemos os mesmos direitos. Por isso eu vim dizer a ele obrigada. O fato de ter um dia, uma semana da consciência negra é a afirmação de que existimos e somos parte da família humana. Mas precisamos ter uma cara, uma voz. Não importa onde tenha nascido, nascemos por acaso em uma determinada família, em um determinado país. Mas temos a oportunidade de fazer da nossa vida o que queremos.

Devemos nos orgulhar que nós não libertamos apenas os negros, mas também a humanidade. Cada geração tem sua responsabilidade histórica. Vim dizer que na tradição dos nossos heróis, nós temos que definir onde queremos estar nos próximos anos, quais são os passos para ganharmos os lugares mais altos na política. Temos igualmente os mesmos direitos.

A Zumbi é a primeira universidade negra do País e precisa haver muitas outras. É daí que virão os acadêmicos, empresários, políticos. E eles não vão ser negros, eles vão ser brasileiros. Precisamos de mais e mais instituições como essa para
consolidar a nossa consciência.

Três lutas que o brasileiro precisar enfrentar: acesso ao poder político, recursos econômicos e conhecimento científico”, frisou a ativista Graça Machel.

Um pouco mais sobre a ativista dos Direitos Humanos Graça Machel: Uma das 100 figuras mais influentes do mundo, segundo o ranking de 2010 da revista Times, a ativista política e defensora dos Direitos Humanos, a moçambicana Graça Machel é formada em Filologia da Língua Alemã pela Universidade de Lisboa. De volta ao seu país natal, ingressou na Frelimo, durante a Luta Armada de Libertação Nacional. Em 1976, casou-se com o presidente de Moçambique, Samora Machel. Aos 29 anos, foi nomeada ministra da Educação e Cultura do primeiro governo moçambicano. Após a morte de Samora Machel, criou a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade, que preside até hoje.  Nos anos 90, realizou a pedido da ONU um estudo sobre o impacto dos conflitos armados na infância, que ficou conhecido como “Relatório Machel”,  que lhe rendeu a medalha Nansen, das Nações Unidas em 1995. Três anos depois, casou-se com Nelson Mandela, de quem ficou viúva no último ano.

Troféu Raça-Negra encerra Flink Sampa 2014

Com esmera, carreata com limusines e veículos especiais da Mercedes Benz, trajes finos e com brilho, tapete vermelho, semblantes felizes e com uma luz especial foi realizado o encerramento da Flink Sampa 2014, na cerimônia de gala do Troféu Raça Negra, na Sala São Paulo, na segunda-feira (24 de novembro). Todos os esforços do evento foram concentrados para trazer ao Brasil a ilustríssima Graça Machel, viúva de Mandela (1918-2013), primeiro presidente negro da África do Sul e Prêmio Nobel da Paz, homenageado, nesta 12ª edição.

Com glamour e muitas lembranças e homenagens à Nelson Mandela, a entrega das estatuetas contou com a presença de reitores de universidades negras americanas, escritores nacionais e internacionais, autoridades e personalidades do Brasil e do exterior, como a senhora Naomi King, cunhada de Martin Luther King Jr., um dos maiores ativistas dos Direitos Civis dos Estados Unidos, já homenageado no Troféu Raça Negra, Meldon Hollis, representante da Casa Branca para a Educação, o Ministro da Educação, Henrique Paim, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o presidente da Febraban, Murilo Portugal, o Comandante da Guarda Civil de São Paulo, Gilson Menezes, o presidente do Google Brasil, Fábio Coelho e artistas como Lica Oliveira, Toni Tornado, Erika Januza, Lincoln Tornado, Dexter, entre outras personalidades convidadas pela Universidade Zumbi dos Palmares, juntamente com a Ong Afrobras e significativos parceiros.

Graça Machel, além de receber o Troféu Raça Negra, também recebeu das mãos de alunos da Zumbi dos Palmares, a Bandeira da Instituição, assinada pela maioria do corpo discente, ao que ela agradeceu e afirmou que guardará com muito carinho.

Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), foi quem entregou a estatueta para ela. “É uma grande honra entregar esse troféu a Graça Machel, representando Nelson Mandela, que dedicou toda uma vida em prol da igualdade no mundo. Pessoas como ele, a gente não agradece pelo que fez, mas sim porque existiu em prol da humanidade”, destacou.
Reconhecendo ao mesmo tempo estar feliz com a cerimônia de homenagem, Graça não escondeu a tristeza pela ausência do esposo. “É muito cedo para aceitar que ele partiu para sempre. Por isso, vê-lo em movimento (referiu-se às imagens projetadas no telão), sorrir, falar para as multidões como sempre fez, tornou-se um momento frágil para mim”, disse Graça, destacando trechos do trabalho desenvolvido por Mandela ao logo da vida.
Na oportunidade, leu uma frase que sintetiza o compromisso do líder: “Lutei contra a dominação branca e a dominação negra. Espero viver e ver realizado meu ideal. Se necessário, é um ideal pelo qual estou preparado para morrer”.
Quanto à premiação do Troféu Raça Negra, Graça Machel fez questão de frisar: “Os diferentes estados sociais que receberam esse troféu é porque se identificam e não só em suas ações; pública ou privada, eles são Zumbi dos Palmares. Essa cerimônia trouxe um herói de toda a humanidade do século XVII e de toda a humanidade do século XX, que é Nelson Mandela. Eu não poderia encontrar um exemplo melhor do que os ideais de afirmação de uma identidade baseada na dignidade humana, residem profundamente em homens e mulheres de todos os tempos. Por isso, Zumbi dos Palmares que viveu no século XVI e Mandela que viveu no século XX e início do século XXI são símbolos maiores que nos dizem  de que sim, o Brasil já iniciou um processo de construção de uma sociedade de iguais. Mas apenas iniciou. É necessário que nós no futuro vejamos um Brasil, e que na representação política, econômica e mais poderosas que se pode imaginar, que este pais tem, nas instituições do saber, nas acadêmicas, nas que lideram a inovação, na geração do saber que para grandes  descobertas do século XXI.
A ex-primeira dama também ressaltou a luta de Zumbi dos Palmares, de modo que sirva de exemplo para que os brasileiros se esforcem para conquistar a igualdade. “Quero que os negros deste País, por direito próprio e não, por favor, possam ocupar a centralidade das instituições. É nosso dever honrar o legado de Zumbi e Mandela. Prometemos que essa sociedade veja a discriminação como história, da mesma forma que a escravidão já é história. A nossa obrigação de honrar o lugar de Zumbi dos Palmares, o lugar de Nelson Mandela, eu, com muita modéstia aceito este troféu em seu nome, também o faço em meu nome pessoal, como cidadã do mundo”, destacou Machel.
O evento ocorreu num clima descontraído, com música de excelência e um palco de primeira linha, montado para acolher os respeitosos indicados da noite, acompanhado por uma elegante platéia que pode se encantar com apresentação da companhia de dança da África do Sul, Swilombe Choir, além de apresentações musicais de Altay Veloso, Martinho da Vila e sua filha Maíra Freitas e do Coral da Universidade Zumbi dos Palmares (patrocinado pelo Bradesco).

Graça Machel, viúva de Nelson Mandela e ativista social, Yitish Aynaw, primeira mulher negra a vencer o concurso de miss Israel em 2013 e a primogênita de Carolina Maria de Jesus, ex-catadora de papel, que ao fim da vida virou escritora, tendo suas obras publicadas em 13 idiomas, Vera Eunice e a Desembargadora Neuza Maria Alves, primeira Mulher Negra do Tribunal Regional de Brasilia, passaram com glória e beleza pelo tapete vermelho da festa do Troféu Raça Negra, na segunda-feira (24/11), na Sala São Paulo, por merecimento levaram a premiação. Além das 3 indicadas, outros 13 homens que levaram o Troféu Raça Negra por serem expoentes em suas ações na luta contra o preconceito racial no mundo, ou qualquer outra forma de discriminação.

No encerramento, com emoção o reitor da Universidade, professor José Vicente enfatizou “com a diversidade da cidade de São Paulo/Brasil, construir um evento literário com essa envergadura só é possível graças ao nosso entusiasmo com ideais incansáveis espelhando se nos grandes líderes negros que moveram o mundo com suas ações. Para a realização da Flink Sampa, a Universidade Zumbi dos Palmares e a Ong Afrobras se alinham com excelentes parceiros institucionais e privados que partilham com o misto público que conquistamos uma festa glamourosa, com conteúdo e presenças de personalidades que nos ensinam cada vez mais amar a nossa raça, pela inteligência e bravura. A cada ano, os aprendizados se multiplicam. Estou feliz com tudo que atingimos até aqui. Já vamos seguir, rumo à próxima edição”, enfatizou.

Nesta edição, contamos com o apoio dos seguintes parceiros:  Microsoft, Coletivo Coca-Cola, Febraban, Carrefour e Espaço Zumbi

Lista dos premiados - “Troféu Raça Negra”

1.    Graça Machel

2.    VERA EUNICE: Professora da Rede Municipal de São Paulo, Filha da Escritora CAROLINA DE JESUS, Homenageada da FLINKSAMPA - Festa da Literatura e Cultura Negra 2014.

3.    YITISH AYNAW: MISS ISRAEL: primeira mulher negra a vencer concurso de miss Israel em 2013, aos 21 anos, Yitish venceu com um discurso ousado no qual falou de sua paixão por Martin Luther King: “lutou pela igualdade e por isso estou aqui”, disse.

4.    TIAGO BARBOSA: ATOR: Disputando com milhares de candidatos de vários países foi vitorioso ao ser escolhido pela Broadway interpretar o papel principal no mundialmente festejado musical, O Rei Leão.

5.    LUIS GUSTAVO MUNIZ DO NASCIMENTO: Um dos primeiros colocados no ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica formou em 2013 como engenheiro Aeroespacial.

6.    DESEMBARGADORA NEUZA MARIA ALVES: É a Primeira Mulher Negra Desembargadora do Tribunal Regional Federal de Brasília.

7.    FERNANDO HADDAD – PREFEITO SP: Criou os programas de Inclusão dos Negros no Ensino Superior das Universidades Federais e o Prouni. Criou a Secretaria de Igualdade Racial do Município de SP. Sancionou a Lei de Cotas para Negros no Serviço Público de São Paulo.

8.    JOSE HENRIQUE PAIM - MINISTRO EDUCAÇÃO: Um das maiores referenciais em Educação do País é o primeiro ministro negro da Educação. Tem desenvolvido um profundo projeto de Inclusão dos jovens negros na Graduação e Pós Graduação e Mobilidade Discente e Docente, do Programa de Desenvolvimento Academico Abdias do Nascimento.

9.    CELSO JATENE: Secretário de Esportes trabalha na inclusão do negro na cidade de São Paulo desde seu primeiro mandato como Vereador tendo criado a Lei que Institui o Troféu Raça Negra no Calendário Cultural Oficial da Cidade de São Paulo.

10.    PAULO SPELLER: Secretario de Ensino Superior do Ministério da Educação foi o implantador da UNILAB – Universidade Federal da Lusofonia Afrobrasileira, em Redenção, Estado de Pernambuco.

11.    MARCO SIMÕES – COCA- COLA: A Empresa Coca Cola, de forma pioneira, no Brasil, está investindo dois milhões de dólares para fortalecimento, empoderamento e desenvolvimento de Instituições Negras Brasileiras nas áreas de educação e cultura.

12.    NADIR DE CAMPOS JR: Um dos mais destacados quadros do Ministério Público do Estado de São Paulo é o primeiro Procurador de Justiça Negro do Estado são Paulo.

13.    ANTONIO PINTO – SECRET. SEMPIR: Um dos mais importantes ativistas na defesa dos negros no Brasil é o atual Secretario da Igualdade Racial do Município de São Paulo.

14.    PAULO REIS – VEREADOR de São Paulo: Criou e aprovou na Câmara dos Vereadores, o Projeto de Lei que institui Cotas para negros nos Serviço do Município de São Paulo.

15.    MARCO COSTA – OAB - Ordem dos Advogados do Brasil/ Seção São Paulo tem sido uma das mais expressivas aliadas na defesa da promoção das políticas afirmativas para inclusão e participação do negro em São Paulo.

16.    GLAUCIUS OLIVA – PRESIDENTE DO CNPQ: O CNPq tem produzido políticas importantes de valorização dos negros no ensino superior e na pesquisa  como o censo racial dos pesquisadores negros e programas de qualificação e pesquisa no Brasil e no exterior.

Obrigada pela ilustre presença de todos! Até breve!

Imprimir