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Poeta Cruz e Sousa, patrono da FLINK Sampa 2013

cruz-sousaJoão da Cruz e Sousa nasceu na cidade de Nossa Senhora do Desterro, atual Florianópolis, ilha de Santa Catarina, a 24 de novembro de 1861. Os pais, o mestre pedreiro Guilherme ainda era escravo, enquanto a mãe, Carolina Eva da Conceição, liberta. A família, que incluia o irmão Noberto da Conceição Sousa, residia no solar do marechal-de-campo Guilherme Xavier de Sousa, herói da Guerra do Paraguai. Cruz e Sousa nasceu e foi criado na residência do velho militar, que morreu em 1870.

O poeta teve uma educação regular e esmerada, em sua cidade natal. Foi aluno do Ateneu provincial Catarinense, onde se destacou pela dedicação e inteligência. Para estudar, teve a ajuda do pai pedreiro ("que tudo sacrifica pela educação dos filhos", segundo atesta documento da época). Não teve nenhum proteção, mas foi dos melhores alunos de sua turma, tendo desbancado o próprio presidente da província numa numa prova oral.  Aprendeu francês, inglês e latim, pelo que se sabe até agora.

Em 1881, ajudou a fundar o jornal Colombo, que já tinha conotação abolicionista. Desde 1879, intensifica sua participação na imprensa, publicando poesias e textos jornalísticos. Em 1883, integra-se à Companhia Dramática Julieta dos Santos, do ator, poeta e empresário carioca Moreira de Vasconcelos, que mambembava pelo Desterro. Viajo boa parte do país, atuando como "ponto" da empresa teatral, escrevendo para jornais e publicando suas poesias. De volta a terra natal, participa do jornal O Moleque, onde combateu a escervidão e o preconceito racial.

Em 1885 lançou o livro "Tropos e Fantasias", em parceria com o amigo Virgílio Várzea. Cinco anos depois transfere-se para o Rio de Janeiro, onde tem forte atuação na imprensa local, sobretudo nos jornais Novidades e Cidade do Rio, este último do tribuno José do Patrocínio.

Com a publicação dos livros "Missal", de prosa, e "Broquéis", de versos, ambos de 1893, inagura a escola simbolista no Brasil. É o seu maior representante brasileiro e o terceiro maior do mundo, ao lado do francês Sthena Mallarmé e Stefan George.

Trabalhou como arquivista na Estrada de Ferro Central do Brasil. No Rio de Janeiro, casou-se com Gavita Rosa Gonçalves, também negra, com quem teve quatro filhos, todos mortos prematuramente por tuberculose, como a própria mãe, que chegou a ficar louca.

Faleceu a 19 de março de 1898 na antiga Estação do Sítio, hoje Antônio carlos. Cruz e Sousa é um dos patronos da Academia Catarinense de Letras, representando a cadeira número 15.

Há no município de Florianópolis, o antigo palácio de despachos do governo estadual, é hoje o Palácio - Museu Cruz e Sousa, onde encontram-se também os seus restos mortais. Além disso, vários municípios o homenageiam usando seu nome para nomear ruas, avenidas, escolas pública, particiculares, bibliotecas e centros sociais.

São de sua autoria Missal, presa, de 1893; Broquéis, versos, de 1893; Evocações, praso, de 1893; Faróis, versos, de 1900; Últimos sonetos, 1905. Na juventude escreveu duas peças para teatro e publicou Julieta dos Santos - homenagem ao gênio dramático brasileiro, versos, parceria com Santos Lostada e Virgílio Várzea, de 1883; e Tropos e fantasias, prosa, parceria com Virgílio Várzea, de 1885.